As doenças vasculares do Sistema Nervoso podem ser tratadas por via endovascular. Com a punção de uma artéria, geralmente a artéria femoral ao nível da virilha, um introdutor é colocado. Através desse introdutor, com a utilização de cateteres, doenças como aneurismas, malformações vasculares cerebrais e da medula espinhal, estenoses da artéria carótida, entre diversas outras, podem ser tratadas de forma menos invasiva e sem cortes.
A arteriografia, ou angiografia, cerebral foi desenvolvida pelo português Egas Moniz em 1927 pela injeção direta de contraste iodado na artéria carótida interna. Mais tarde, em 1953, o sueco Sven-Ivar Seldinger descreveu a técnica de cateterismo para realizar o estudo das artérias e veias intracranianas. As técnicas foram sendo aperfeiçoadas e, atualmente, a neurocirurgia endovascular é considerada superior, na maioria dos casos, às cirurgias abertas.
Pela técnica de cateterismo, é realizada uma navegação por dentro dos vasos para se chegar à localização da doença, como um aneurisma. Houve um avanço muito expressivo nos métodos, nos materiais utilizados e nos aparelhos de hemodinâmica nas últimas décadas. Atualmente, as imagens são muito precisas, particularmente com aparelhos biplanos de última geração, com softwares que facilitam muito a obtenção dos melhores resultados terapêuticos.
O aneurisma cerebral é uma dilatação localizada no calibre de uma artéria, devido a uma fraqueza na sua parede, principalmente nas bifurcações. Fatores de risco como hipertensão arterial, tabagismo e antecedentes familiares aumentam a chance do aparecimento e rotura dessa malformação arterial. A rotura de um aneurisma cerebral leva ao óbito em 50% dos casos no primeiro mês sem tratamento. A colocação de um clipe metálico no colo do aneurisma por microcirurgia foi o padrão ouro por várias décadas. Mas, a neurocirurgia endovascular tornou-se a terapia de escolha, por ser menos agressiva, com baixa morbidade e alto índice de oclusão do aneurisma.
Serbinenko, em 1974, descreveu a oclusão de aneurismas cerebrais pela colocação de balões por cateterismo. Guglielmi, em 1991, realizou a oclusão de aneurismas com micromolas de platina destacados por eletrólise. Esta técnica se desenvolveu e passou a ser usada de rotina nos maiores centros mundiais. O uso de stents e balões facilitaram a colocação das micromolas em aneurismas de colo (abertura) largo.
Com a evolução dos exames de imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, os aneurismas passaram a ser descobertos antes de romperem, permitindo o tratamento pela oclusão antes da hemorragia intracraniana.
Atualmente, existem várias opções de materiais para a oclusão de aneurismas com segurança, as micromolas foram deixando de ser as mais utilizadas. Os diversores de fluxo são materiais parecidos com stents, mas bem mais flexíveis e com a malha bem mais fechada. Eles são implantados frequentemente nos aneurismas de diferentes artérias, principalmente os de artéria carótida interna. Temos muitos pacientes tratados com esse material. O Web é como uma pequena gaiolinha, com a malha semelhante ao diversor de fluxo, que é colocado no interior do aneurisma para a sua oclusão, A sua principal indicação são os aneurismas de colo largo em bifurcações arteriais.
Fatores de risco como tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, entre outras causas, levam ao acúmulo de substâncias, principalmente nas bifurcações arteriais, que provocam a estenose, ou estreitamento, do vaso. Essas estenoses podem levar ao aparecimento de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), seja por tromboembolismo ou por trombose. Diversos vasos podem ter estenose, mesmo intracranianos, mas o bulbo carotídeo é o local mais prevalente. A estenose da artéria carótida pode ser tratada por cirurgia, a endarterectomia. Mas. a angioplastia por via endovascular é uma terapia menos invasiva, mais rápida e com baixíssima morbidade. O uso de um filtro de proteção impede que pequenos coágulos possam ir distalmente causar isquemia.
As MAVs são aglomerados de artérias e veias que se comunicam anormalmente através de um nidus. Como as artérias têm a pressão mais elevada que as veias, fazendo o sangue arterial passar mais rapidamente para as veias, provocam a dilatação dos vasos. Podem provocar hemorragias, crises epilépticas, cefaleia e déficits neurológicos, inclusive levar ao óbito do paciente. Dependendo do tamanho, da localização e da drenagem, as MAVs podem ser classificadas em graus de I a V, segundo a classificação de Spetzler e Martin. As do grau I são pequenas e mais facilmente curadas, enquanto as grau V são muito graves. As MAVs podem ser tratadas por microcirurgia, neurocirurgia endovascular e gamma knife. Geralmente os métodos são associados para diminuir os riscos de complicação, como as hemorragias.
O tratamento endovascular consiste em navegar com microcatéteres até o nidus e ocluir a MAV com um líquido especial que se solidifica no seu interior. A via convencional é arterial, mas é possível também a embolização por via venosa.
Existem diversas outras indicações de tratamento por neurocirurgia endovascular.
O Dr. Murilo Meneses é referência em neurocirurgia funcional e oferece opções avançadas e seguras para o tratamento da epilepsia.
Com experiência reconhecida e atuação exclusiva no Hospital INC, dedica-se a melhorar a qualidade de vida de cada paciente com cuidado, inovação e acolhimento.
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